Quarta-feira, 18 de Maio de 2016 13:43hevent_note

Brinquedo de gente grande

Elas são versões miniaturizadas de motos esportivas, e tão sofisticadas quanto as irmãs maiores. Possuem chassis de alumínio ou treliça de aço, freio a disco com pinça radial e peças anodizadas, um verdadeiro banho de loja que faz inveja à maioria das motos de tamanho “natural”. E não pense que são brinquedos de criança, longe disso: pesam apenas 20 kg e com um motor 2 tempos de 50 cc aceleram nos kartódromos a mais de 100 km/h. As minimotos surgiram no Japão e se espelharam por Estados Unidos e Europa na década de 1980, onde hoje há campeonatos homologados e até federações do esporte – pilotos da categoria máxima MotoGP já correram de minimoto, como Valentino Rossi, Loris Capirossi, Marco Simoncelli e Dani Pedrosa.  

As minimotos que você vê nas fotos são fabricada pelas italianas GRC, DM, Stamas, Blata e Polini, e importadas pelo grupo do fórum Minimotobrasil.com. Com suas minúsculas rodas de liga leve aro 6,5 polegadas, carenagem integral e ponteira de escapamento sob a rabeta rasgam as retas de kartódromos paulistas carregando adultos de 80 kg devidamente vestidos com macacão, botas e luvas.  

O hobby desse grupo de 15 brasileiros começa em um sábado do mês por volta das 8 horas da manhã, quando se reúnem no kartódromo, descarregam as motos, revisam cada um a sua, fazem ajustes e começam os treinos, já por volta das 9 horas. E lá estávamos nós, ansiosos aguardando o momento de experimentar uma delas.  

Sentar no banco exige algum contorcionismo para encaixar os pés nas pedaleiras, e conseguir se equilibrar para sair, ainda ziguezagueando. Nos primeiros metros é difícil andar em linha reta. Os pneus pequenos exigem força dos braços e muita docilidade nas inclinações para evitar a tendência do guidão a virar. Não há marchas para trocar (nem haveria espaço para que o pé fizesse isso...), mas como nos scooters, dois manetes comandam cada um dos freios. No pequeno espaço entre a carenagem e a mesa de direção fica um Mychron, equipamento de telemetria para competições que, além de informações de velocidade e traçado captadas via sinal de GPS, também registra a força G e rotações do motor.   

O motor de 16 cv impressiona pela potência e disposição para alcançar até 16.000 rpm. Na reta de cerca de 200 metros do kartódromo onde estávamos, em Paulínia (SP), o motor parecia não parar de acelerar e não pôde atingir os 100 km/h por falta de espaço. Mesmo sem suspensões, como um kart, os pneus dão conta de amortecer as irregularidades da pista, mas exigem cautela ao passar pelas zebras. Nas saídas de curva a moto empina e aprendemos que o ideal é dosar melhor o acelerador e inclinar o corpo para frente, para evitar que a roda perca contato com o asfalto. 

Um porta-malas basta 

Alguns modelos de minimoto de fabricação chinesa podem ser adquiridos por cerca de R$ 1.000, equipadas com motor 2 tempos básico, de refrigeração a ar e potência ao redor de 6 cv. São mais pesadas, utilizam tecnologia mais simples como freios acionados por cabo, e servem principalmente para quem quer começar no esporte. As minimotos italianas usadas custam a partir de R$ 4 mil, e as novas R$ 7 mil. Já equipadas com componentes de primeira linha, podem chegar a R$ 14 mil. Foi o caminho escolhido por José Paulo Martins, ex-piloto de supermotard e motovelocidade, que hoje só corre de minimoto. “Além da disputa acirrada, o custo do esporte é menor e não preciso de carreta ou picape. Posso colocar minha minimoto em qualquer porta-malas pequeno e sair para curtir”, diz. 
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